A Morte de Ivan Ilitch

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Capítulo I - O Funeral

Mensagem  Gustavo em Ter Jan 22, 2008 6:51 pm

Tolstói começa pelo final. Normalmente eu não gosto de narrações em que o começo é o meio, o meio é o fim, o fim é o começo e suas variações. Um dos motivos é que os personagens são apresentados às pressas e não se entende muita coisa. Outro é que não se cria vínculo afetivo ou racional com os personagens. Mas nesse caso, por o tema principal do livro ser a morte, é aceitável, e até elogiável, que o autor tenha preferido fazer como fez.
Outra coisa que eu gostaria de observar é o tom cômico que o narrador dá a algumas cenas, como o vestido da viúva se prendendo na mesa onde está o morto. O que faz acreditar que é uma comédia - e realmente pode ser se considerarmos "comédia" como uma estória que tem seu final feliz¹.
Por fim (não muito importante, para mim; mas que devia ser para Tolstói, já que o livro é repleto desse assunto), fica até constrangedor o pouco caso que se faz à morte de um conhecido/amigo/parente e o interesse social ou financeiro que se tem com a morte de Ivan Ilitch.
Comecei. Agora é com vocês. Beijos e abraços fúnebres.
¹ Explico o "final feliz" no final. ^^
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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  Cyber em Qui Jan 24, 2008 10:56 am

Eu particularmente gosto desse tipo de narração. Apesar de muitas vezes "não se criar um vínculo afetivo ou racional com os personagens", não acho que os personagens são apresentados às pressas (depende muito do narrador)... quanto ao entendimento é subjetivo.

Complementando o post do nosso amigo, no primeiro capítulo eu destaco trechos que - além do tom cômico - fazem uma forte crítica a sociedade da época, e mostra a superficialidade dos diferentes tipos de relacionamentos.

De um lado os supostos amigos que recebem a notícia com total frieza de sentimentos para com o amigo morto,

"Ao saberem, pois, da morte de Ivan Ilitch, todos os que se achavam reunidos no gabinete pensaram, antes de mais nada, na influência que esse acontecimento poderia ter na sua própria promoção e na de seus amigos."

"Além das reflexões ligadas às nomeações e modificações no serviço que podiam resultar daquele falecimento, o próprio fato da morte de um amigo despertou, como sempre, em todos os que souberam da notícia, um sentimento de alegria: Não fui eu; foi ele que morreu."

"Lá se foi a partida de whist por água abaixo - dizia o seu olhar brincalhão. - Não nos queira mal se arranjarmos outro parceiro. Talvez você ainda chegue a tempo de formar uma mesa de cinco logo que estiver livre..."


De outro a esposa que durante o velório está preocupada em como aumentar sua pensão.

"A viúva voltou então a falar e expôs, afinal, o assunto que visivelmente a preocupava acima de tudo: tratava-se de saber o que devia ser feito a fim de obter dinheiro do Tesouro para custear os funerais do marido. Fingiu aconselhar-se com Piotr Ivánovitch sobre a pensão a que tinha direito; mas este viu que ela já sabia de tudo, sem omissão dos mínimos detalhes e até bem mais do que ele, sobre o que era possível tirar do Tesouro naquelas circunstâncias. Desejava, porém, saber se não seria possível conseguir mais algum dinheiro."

Vamos lá pessoal... alguém mais está lendo o livro?


Última edição por em Qui Jan 24, 2008 8:07 pm, editado 2 vez(es)

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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  Convidad em Qui Jan 24, 2008 11:37 am

Confesso que esse é um dos poucos livros de Tolstói de que gosto. Não tanto pelo enredo, mas pela construção da narrativa. Nessa obra curta, é possível percebemos o cuidado de Tolstói ao tratar de seus personagens: o ritmo, as descrições e os diálogos, são de uma fineza sem tamanho. Apesar do tom moralista do final, acho essa novela, ao lado de "Sonata a Kreutzer" uma obra-prima do gênero.

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Algo +sobre o primeiro capítulo

Mensagem  Pessoa em Sex Jan 25, 2008 1:39 pm

Creio ser impossível ler esse livro/ capítulo sem a angústia de imaginar como vai ser quando chegar nossa vez...essa angústia provém da verdade em que tudo é escrito...ele analisa a forma como se encara a morte, expondo a preocupação com que pessoas próximas ao defunto se comportam ,com o q vem a ganhar ou perder com isso....uma "desculpa" de Tolstoi para destrinchar a alma humana....
Passei por uma situação semelhante ao livro ha 09/10 meses atras...qd minha vizinha foi encontrada morta e a reação das pessoas eram as piores possíveis...infelizmente não tão polidas qt no livro...rs reler me remeteu àquela situação....q prometo colocar em forma d conto....tão surreal...q vc´s podem não acreditar!! A superficialidade das relações levam a isso...ou é da natureza humana esse "Ele morreu e eu estou vivo"?

Obs: Se visitar a casa de Tolstoi, na Russia, verão que há 12 versões do primeiro capítulo
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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  Gustavo em Sab Jan 26, 2008 7:53 am

A superficialidade das relações levam a isso... ou é da natureza humana esse "ele morreu e eu estou vivo"?
Como eu sugeri no primeiro comentário, essa crítica à superficialidade das relações sociais ou familiares é, para mim, infértil, porque eu acho insensato viver controlado pela relação emocional que se tem com as pessoas com quem se convive. Eu receberia uma notícia de morte com a mesma frieza dos amigos de Ivan Ilitch e com a mesma preocupação da viúva, se essa morte afetasse, para o bem ou para o mal, a minha vida.
Eu sei, no entanto, que, para o texto, a crítica dos valores é necessária. Mas não me afeta. ^^

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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  Joyce em Seg Jan 28, 2008 7:50 am

TOLSTÓI, MOSTRA O SER HUMANO EM FRANGALHOS...
O JUIZ, QUE ESTAVA À BEIRA DA MORTE, SÓ TINHA COMO COMPANHEIROS PESSOAS QUE ESTAVAM INTERESSADAS NO SEU FIM, MESMO AQUELES QUE DIZIAM-SE TRISTES COM SUA DOENÇA, EM ESTADO TERMINAL, ESTAVAM EM VERDADE SORRINDO COM O QUE IRIAM HERDAR, E OS JUÍZES, SATISFEITOS COM O CARGO QUE IRIA VAGAR...
IVAN ILICHT COMEÇA VER QUE SUA VIDA É O RESULTADO DE UMA VIDA SEM VIDA, O PERSONAGEM COMEÇA A TER CONSCIENCIA QUE LEVOU UMA VIDA DE FUTILIDADE E CONQUISTAS FALSAS. SENTE-SE ANGUSTIADO, DESESPERADO... TEM ÓDIO CONTRA ELE PRÓPRIO E PARA COM OS OUTROS A SUA A VOLTA, SEMPRE INTERESSADOS EM TIRAR ALGUM PROVEITO DE SUA MORTE...
ISSO MOSTRA O RESULTADO DE UMA VIDA DESPERSONALIZADA...

É COMO SE FOSSE UM ALERTA... ENCARAR A VIDA COMO UM FIM,
PARA RECRIAR O "RESTO", O QUE FALTA DA VIDA...
PODENDO ASSIM DESCOBRIR UM SENTIDO ATÉ MESMO ÀQUILO QUE NÃO TEM SENTIDO...
É AQUELA VELHA HISTÓRIA DE DAR VALOR ÀS PEQUENAS COISAS... study
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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  Cyber em Seg Jan 28, 2008 12:02 pm

Me chamou a atenção a forma como Tólstoi começa a construir o personagem... vemos a biografia de um homem comum que vem de uma família de funcionários; sendo - ao contrário dos irmãos - o orgulho do pai.
Aos poucos vamos tendo a noção do que Tólstoi queria mostrar:

- a sociedade a que pertencia o personagem; apegada ao dinheiro e à ascensão social, criando desde cedo no jovem Ivan a necessidade de buscar a aceitação junto a mesma.

"A despeito da sua mocidade e de sua índole alegre, em assuntos ligados ao serviço, era extremamente reservado, formal e até severo; mas, em sociedade, mostrava-se com freqüência jovial e espirituoso, embora sempre correto (...)

(...) "criou um círculo de amigos entre os magistrados e os ricos gentis-homens que residiam na cidade; começou a censurar levemente o governo e fez-se passar por um liberal moderado, por homem de idéias um pouco avançadas."

- as relações baseadas na superficialidade (onde já dera mostra no primeiro capítulo).

(...) "e agradava-lhe muito tratar amavelmente, quase com coleguismo, essas pessoas que dependiam dele; gostava de fazer-lhes sentir que ele, que poderia esmagá-las, as tratava simplesmente, amigavelmente."


- e até mesmo a figura de um homem comum, tanto capaz de acertar como de errar...

"Mas Ivan Ilitch nunca abusava desse poder; pelo contrário, esforçava-se por atenuar-lhe as formas. Todavia, a consciência de tal poder e a possibilidade de temperá-lo, constituíam aos seus olhos o principal interesse e o atrativo de suas novas funções."

Temas presentes em muitas outras obras; de épocas, locais e autores diferentes; mas que sempre serão atuais e presentes em nossa vida.

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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  kelner em Seg Jan 28, 2008 7:15 pm


O primeiro capítulo não me agradou. Talvez por estar lendo
na tela dum computador - não sei. É ótimo o humor negro. Faz-me lembrar do
filme “O cheiro do ralo”.


Não pude também
deixar de recordar um incidente semelhante que ocorrera a um amigo:


Quando sua avó
paterna faleceu, ele percebeu que no velório não conseguia chorar como as
outras pessoas da família. Achando que não cairia bem vê os parentes distantes
se debulharem em lágrimas e ele que vivia socado na casa da vovó, frio e seco;
decidiu fazer um esforço pra chorar e acabou conseguindo. Ouvi essa história já
muitas vezes; chorando de rir; lembrando que ele conta à história para que os
outros achem graça mesmo.


Apenas me interressou
neste princípio, aquilo que aponta o natural das pessoas quando se deparam com
uma morte, mesmo quando da família, quando não possuem um vínculo afetivo
forte, como o de amizade profunda; amor paterno, materno... A verdade é que há
em todos os velórios uma simulação de pêsames que todos os que participam
percebem-na. Mas não acho que haja algo daninho ou leviano nesta atitude. Como
humanos que somos, estamos sempre forjando a medida certa daquilo que sentimos,
por não saber demonstrá-la ou por simulação imanente ao humano. No final das
contas, nossa aparência é apenas um simulacro do que somos realmente. Embora, geralmente,
o simulacro que melhor nos representa.


Pelo menos, este
início me fez pensar um pouco sobre o humano. Já valeu.





“A idéia do sofrimento
daquele homem que conhecera tão de perto, primeiro na meninice, depois como
companheiro de escola, mais tarde como colega de tribunal e parceiro de jogo,
horrorizou subitamente Piotr Ivánovitch, apesar da desagradável certeza do seu
fingimento e do daquela mulher. (...)”


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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  jonas em Qui Jan 31, 2008 3:49 pm


Sim, a superficialidade e a hipocrisia são caracteristicas das pessoas em convivencia com outras pessoas, são males da sociedade presentes em todos (mais em uns, menos em outros).
O que Tolstoi faz e nos apresentar as pessoas como elas são, a maior contribuição que ele nos da e a de fazer com que possamos nos identificar com as atitudes dos personagens, e atravez da nossa percepção de quão absurdas são elas, perceber quão absurdos somos nos.

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A Morte de Ivan Ilitch (Debate)

Mensagem  lucio em Sex Fev 01, 2008 7:23 am

faz muito tempo que li esse livro,mas talvez seja um dos melhores que ja li,nao gosto muito de enrolaçao e esse livro é direto nos primeiros capitulos,ja quando ele começa a morrer fica mais lento.adoro como tolstoi poe o ilitch como um ser que nao fez nada de interessante em toda sua vida,a morte de um simples funcionario publico dar em um livro é otima.Mostra tambem a fraqueza de todo ser humano quando se sente sozinho e desampado ,nem sua familia nem seus companheiros o ajudam .alias niguem podia ajudar ele.
vale tambem lembrar que tolstoi na maioria do seus livros mostra o lado podre da alta sociedade.
palmas tolstoi otimo livro ,talvez o melhor que ja li .
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As obrigações sociais na vida e na morte

Mensagem  Vivatchka em Dom Fev 10, 2008 4:23 am

"A morte de Ivan Ilitch" é um livro sensacional, um dos melhores presentes que já ganhei. Li-o muitas vezes, sempre saboreando-o lentamente. O que mais me admirou na obra não foi a história em si, mas o cuidado narrativo do autor, a forma como penetra profundamente em suas personagens por meio de atos cotidianos.
Quer algo mais prosaico do que ficar doente na hora de trocar uma cortina? É quando o sonho de Ivan começa a se concretizar que ele começa a morrer. Já a família passa ao largo disso tudo, tanto dos desejos do patriarca quanto da sua morte e doença. O primeiro capítulo é uma jóia, por ser cruel e verdadeiro: quem vai ocupar o lugar de Ivan que acaba de morrer? Será que alguém poderá indicar o cunhado para um novo cargo, resolvendo assim um probelma familiar?
Acho interessante também a passagem do personagem que quer jogar cartas mas tem que despender um tempo com uma viúva chorosa - não pela morte, mas por suas novas condições de vida - o dever de persignar-se ou apenas fazer um gesto que lembre algo religioso etc. Portanto, Nesta obra, Tolstói mostra a vulgaridade de todos os deveres sociais das pessoas daquele tempo, sem deixar de escrever uma obra absolutamente universal.
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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  Gustavo em Qua Fev 13, 2008 4:08 pm

O objetivo de Ivan Ilitich, durante toda sua vida, sempre foi viver com tranqüilidade. Era admirado e respeitado por todos no trabalho, tinha amigos e se divertia com eles, não tinha inimigos, era um bon vivant. Quando casou e sua esposa o aborrecia, ao invés de resolver seu problema com ela, se fazia de surdo ou se refugiava nas cartas e no trabalho. Tudo para manter sua vida em absoluta calmaria.
Quando adoeceu, percebeu que todas as suas relações eram pautadas na superficialidade. Não eram profundas, porque não foram intensas. Por isso ele ficou sozinho quando mais precisou desabafar ou de conselhos. ivan Ilitch era uma pessoa agradabilíssima, mas não criara um laço afetivo sequer.


Aí cabe analisar: nesse aspecto, o ser humano tem somente dois caminhos a seguir? Ser superficial nas relações, ter tranqüilidade toda a vida e sofrer sozinho; ou cultivar amizades e amores a cada opotunidade, se desgastar com esse investimento, mas sempre poder contar com um ombro, um ouvido, um sorriso, uma mão que lhe ajude? Não haveria uma exceção? Ser intenso nos relacionamentos e não sofrer ou não ter amigos e não sentir solidão?

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Apenas como nota:

Mensagem  Gustavo em Qua Fev 13, 2008 4:14 pm

"O Cheiro do Ralo" - citado pelo kelner - é um filme baseado no primeiro romance de Lourenço Mutarelli, escritor e cartunista. Nunca li o livro ou qualquer obra dele, mas acompanhei seu blog durante o mês que esteve em Nova Iorque para criar uma estória de amor acontecida e inspirada naquela cidade, para o projeto "Amores Expressos". Ele tem uma pegada cômica de fazer inveja.

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Re: A Morte de Ivan Ilitch

Mensagem  Cyber em Qui Fev 14, 2008 8:48 pm

Refletindo sobre o livro percebemos que independente da época e do lugar, o tema sempre irá gerar divergências de opiniões. Comportamentos como o do primeiro capítulo; que podem chocar alguns, para outros serão normais. Estou lendo um livro do Albert Camus e gostaria de compartilhar uma passagem com vocês (acho que se encaixa nesse debate).

(...)
"Já reparou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam mais a boca cheia de terra! A homenagem vem, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe por que somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há obrigações. Deixam-nos livres, podemos dispor do nosso tempo, encaixar a homenagem entre o coquetel e uma doce amante: em resumo, nas horas vagas. Se nos impusessem algo, seria a memória, e nós temos a memória curta. Não, é o morto recente que nós amamos nos nossos amigos, o morto doloroso, a nossa emoção, enfim, nós mesmos!"
(A queda - Albert Camus)

Camus... fulminante!!!

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Camus

Mensagem  tais victa em Sex Fev 15, 2008 8:58 am

Adorei o tópico sobre Camus...,não podia mesmo faltar!
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Re: A Morte de Ivan Ilitch

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