ÉBRIO (poema)

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ÉBRIO (poema)

Mensagem  Cristiano Pitt em Dom Jan 27, 2008 6:47 pm

ÉBRIO




Ando
torto pelas ruas;


Horas
nuas, madrugada.


De
calçada em calçada


No
encalço da lua;


No
acender das luzes a contar estrelas –


Posso
vê-las: cruzes, caras,


Gêmeos,
formas mil.


Diversas,
controversas,


Deformadas


Vítimas
da mente febril


(a
pureza é infantil).





A
noite é o cenário do imaginário louco


Que
pouco a pouco me distrai e


Dia
a dia me destrói.


Eis
um corpo que cai mas não dói


Um
corpo bêbado estendido no chão


Eis
um homem sem função –


Um
homem ou um cão?
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Re: ÉBRIO (poema)

Mensagem  kelner em Seg Jan 28, 2008 7:23 pm

Gostei. Manda mais.

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Re: ÉBRIO (poema)

Mensagem  Gustavo em Ter Jan 29, 2008 2:52 am

Quando você se propôs, Cristiano, a fazer dísticos onde o primeiro verso é monossílabo e se relaciona - e tem que se relacionar - com o segundo, deveria continuar com esse formato até o final e dar grande intensidade às palavras que iniciam as estrofes, como fez nas duas primeiras.

Ando / torto pelas ruas;
Horas / nuas, madrugadas.

Por ser verbo, "ando" obriga o leitor a guardar na mente o primeiro verso para completar o segundo. O substantivo "horas" também deixa essa curiosidade em quem lê e se preserva forte na lembrança.
Agora presta atenção nas duas estrofes seguintes:

De / calçada em calçada
No / encalço da lua;

Você percebe que acontece o contrário aqui? As palavras "de" e "no" não completam a estrofe, se perdem e dão uma sonoridade feia ao primeiro verso porque se busca a sílaba tônica. Acaba virando "dí calçada em calçada" e "nú encalço da rua".


Outro problema (muito comum, não se preocupe) é que, com a chegada do final, suas idéias precisam evoluir para melhor compreensão do texto e, fatalmente, os segundos versos começam a se alongar, desandando e perdendo o ritmo. A minha opinião é que, se o poema começa curto, tem que terminar curto; e se começa longo, tem que terminar longo - a menos, é claro, que ele se encurte ou se alongue gradualmente. Veja como a estrofe mais extensa perde ritmo:

Gêmeos, / formas mil.
Um / corpo bêbado estendido no chão


Quanto ao tema e à linguagem, não senti tesão ao lê-lo e as palavras estão muito comuns, talvez porque não há muitas figuras de linguagem, como metáforas e hipérboles.






Mas é isso aí! Eu sou chato mas vamos em frente! Razz

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GUSTAVO

Mensagem  Cristiano Pitt em Ter Jan 29, 2008 7:39 am

Obrigado pelas lúcidas considerações.

Na verdade, originalmente as palavras que aparecem isoladas (ando, horas, de, no) não constituiriam um verso. O problema é que não consegui formatar direito o texto aqui no fórum.

"Ando torto pelas ruas
Horas nuas, madrugada", e assim por diante:

Isso seria o correto, como pode se comprovar no meu blog (http://spaces.msn.com/members/pittbrasil). Acho que vou apagar o post, abandonar o CTRL+C + CTRL+V e redigitá-lo.

Quanto ao uso das palavras "comuns", ele é consciente, proposital e de certa forma até ideológico, pois não suporto a poesia pedante, exclusivista, que utiliza de linguagem rebuscada para erudizer-se (?).

É a minha opção, paciência.

Mas agradeço MESMO pelas considerações e, principalmente, por ter dedicado teu tempo a essas tortas linhas.
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KELNER

Mensagem  Cristiano Pitt em Ter Jan 29, 2008 7:41 am

Muito obrigado.

Mandarei mais.
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Re: ÉBRIO (poema)

Mensagem  Gustavo em Qua Jan 30, 2008 9:05 am

disponha. ^^

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Re: ÉBRIO (poema)

Mensagem  Vivatchka em Dom Fev 10, 2008 4:48 am

Concordo com Gustavo.
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Re: ÉBRIO (poema)

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